Cabeceira/PI,  30 de novembro de 2020
 

26 de julho de 2018 Informações da Postagem: Por Apolo Araújo Imprimir Postagem

‘Momo do WhatsApp’ é inofensiva, mas imitações são perigosas

Um perfil misterioso no WhatsApp de uma suposta personagem chamada “Momo” ficou popular desde uma reportagem de um jornal espanhol sobre sua existência. O perfil, que traz uma foto macabra, é em si inofensivo: não há qualquer registro de ataque cibernético partindo do perfil original. O perigo desse tipo de pegadinha ou trote são as imitações, que se valem da imaginação e da curiosidade das pessoas, principalmente crianças, para ameaçar, enganar e extorquir.

A receita para esse tipo de fenômeno está no mistério que envolve o caso e em elementos macabros que agravam o “misticismo”. No caso da “Momo”, a própria foto do perfil e o número estrangeiro (o primeiro perfil da Momo seria de um número japonês) desempenham esse papel. Como muitas outras piadas da internet que viram “memes”, trotes (assim como fraudes reais) não raro tendem a atrair imitadores, pelo menos enquanto o truque funcionar.

Perfil original com foto da 'Momo', inativo desde 11 de julho (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1) Perfil original com foto da 'Momo', inativo desde 11 de julho (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1)

Perfil original com foto da ‘Momo’, inativo desde 11 de julho (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1)

Tudo lembra muito o chamado “Jogo da Baleia Azul”, uma corrente on-line de 2017 que teria levado mais de cem crianças ao suicídio (o número nunca foi confirmado). Assim como a “Momo” é japonesa, a “Baleia Azul” era russa. Se a “Momo” usa uma foto macabra, a “Baleia Azul” era uma série de desafios a serem realizados na madrugada.

Esses elementos contribuem para despertar interesse, o que faz a história ser mais divulgada, seja através das redes sociais ou da imprensa. Quem fica exposto a essa informação acaba tendo ainda mais interesse em interagir com uma “Momo”, caso alguma apareça.

Infelizmente, é o que já tem acontecido. Uma apuração do G1 identificou um caso em Santa Catarina em que um perfil da “Momo” teria ameaçado pelo menos cinco adolescentes de 12 e 13 anos para solicitar fotos nuas das meninas. Todas estudam na mesma escola – o que é um possível indício de que o “imitador” não está tão longe quanto o número do telefone parece indicar. O caso foi registrado na sexta-feira (20) e, segundo o delegado da Polícia Civil Felipe Orsi, a origem do golpe ainda está sendo investigada.

As “Momos”, aliás, pode ser as mais diversas. Existem guias na internet com todos os passos para obter um número estrangeiro e instalar e registrar outro WhatsApp no celular. Assim, dá para criar e usar um perfil da “Momo” sem nem precisar abandonar o número verdadeiro do WhatsApp. O processo é de graça e leva menos de dez minutos. Afinal, a Momo nada mais é do que um perfil com uma foto específica em um número desconhecido.

Embora imitar o perfil seja fácil, identificar a origem desses perfis não é. Quando é usado um número estrangeiro, o acesso a qualquer informação cadastral é difícil. Se o responsável tiver alguns cuidados, nem mesmo o WhatsApp poderá informar o verdadeiro endereço IP usado pelo perfil, o que dificultaria ainda mais a investigação.

Um criminoso de internet normal precisa transformar seus ganhos em dinheiro, mas o rastro financeiro não existe em uma pegadinha ou golpe que se restringe a ameaças e fotos macabras em um perfil falso – o que torna a investigação desse tipo de caso um desafio ainda maior.

A “Momo” pode ser uma brincadeira com humor negro ou produto de algum oportunista que quer fazer ameaças e assustar se aproveitando da “moda”. É importante manter a calma e entender que não se trata de nenhuma grande rede criminosa, mas oportunistas também podem ser perigosos.

Quem é a Momo ‘original’?

A foto usada no perfil da Momo vem de uma estátua japonesa criada pela empresa de efeitos especiais Link Factory, segundo o site “Know Your Meme”. Uma imagem da estátua foi enviada ao Instagram em 2016 e uma versão recortada da mesma foi publicada no fórum de internet Reddit no dia 10 de julho. Foi aí que a imagem ganhou popularidade, se tornando assunto de um vídeo do canal “ReignBot” do YouTube no dia 11. No vídeo, três números da Momo foram divulgados, incluindo o número japonês.

O trote inicialmente afirmava que quem adicionava o número da Momo para tentar contato receberia fotos assustadoras nas respostas (isso nunca foi confirmado). Apesar do conteúdo possivelmente desagradável para algumas pessoas, o “meme” original não trazia qualquer risco para os dados ou segurança digital. O WhatsApp informa o número como inativo desde o dia 11, data do vídeo publicado no YouTube.

No Japão, o aplicativo de mensagens mais usado é o LINE, não o WhatsApp, o que diminui a probabilidade de que esse perfil tenha sido preparado por um japonês

Outros golpes no WhatsApp

O WhatsApp, por ser um dos aplicativos de mensagens mais populares do mundo e uma unanimidade no Brasil, já é terreno fértil de diversos golpes, muitos deles com prejuízos reais e financeiros.

O mais grave envolve a clonagem do aparelho da vítima. Os criminosos conseguem transferir o número para outro chip, recadastrando o WhatsApp. Depois disso, os golpistas entram em contato com os amigos da vítima para solicitar dinheiro. Esse golpe aconteceu em junho no Piauí e atingiu dois ministros do Governo Federal em março, levando a uma operação da Polícia Federal que prendeu quatro suspeitos na semana passada. Um dos suspeitos, Leonel Silva Pires Júnior, já respondia pelo mesmo crime após uma operação policial identificá-lo em 2016.

WhatsApp avisa quando alguém troca de aparelho. Mensagem também aparece se o número foi clonado sem autorização (Foto: Reprodução)

Mesmo sem clonagem do número, golpistas também podem realizar outros golpes solicitando dinheiro pelo WhatsApp, criando histórias e justificativas para a suposta transferência.

Existem ainda os golpes que convidam as vítimas a acessar e espalhar um link que, supostamente, dará algum benefício, como a possibilidade de participar uma promoção ou até ter uma carteira de habilitação gratuita. Nesses golpes, os bandidos faturam com a receita publicitária dos acessos à página que eles divulgam, prejudicando os anunciantes.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

Fonte: G1


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