Cabeceira/PI,  5 de dezembro de 2020
 

19 de outubro de 2018 Informações da Postagem: Por Apolo Araújo Imprimir Postagem

Seleção de futsal coroa campanha perfeita com medalha de ouro inédita

Na primeira participação olímpica da modalidade, meninos do Brasil vencem a Rússia por 4 x 1 e fazem a festa no Parque Tecnópolis, em Buenos Aires
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Os dez integrantes do grupo com a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos da Juventude. Foto: Danilo Borges/rededoesporte.gov.br
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Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018

Depois de uma campanha perfeita, com seis vitórias em seis jogos, a Seleção Brasileira de futsal se despediu dos Jogos da Juventude com a medalha de ouro, na primeira participação olímpica da modalidade na história. Ao vencer a Rússia por 4 x 1 na final, os garotos do Brasil chegaram a uma conquista que nem os maiores ídolos do futsal brasileiro em todos os tempos, como Falcão e Manoel Tobias, conquistaram.

“Não tem nem o que falar. O Falcão é o melhor da história e o Manoel Tobias também está entre os melhores. Não tenho palavras para dizer o quanto é especial esse momento”, comemorou o capitão da equipe, João Victor, o “Neguinho”. “Colocamos em prática tudo o que treinamos nos clubes e nas oportunidades de treinos com a Seleção. Sempre procuramos ter equilíbrio na marcação e eficiência no ataque”, analisou o fixo.

O Brasil terminou a competição com 32 gols marcados e 7 sofridos. Venceu a Argentina diante de uma torcida de 6.500 hermanos nas semifinais e bateu a Rússia duas vezes no torneio: 6 x 1 no jogo de estreia e 4 x 1 na final. “Foram jogos duros, mesmo nos Jogos que goleamos foram difíceis. Mas fizemos uma boa campanha e entregamos o resultado que queríamos”, festejou o treinador Daniel Júnior.

Quando as medalhas e os mascotes foram entregues pelas mãos da rainha Marta e o hino brasileiro tocou no Estádio de Futsal do Parque Tecnópolis, a pequena mas sempre presente e barulhenta torcida brasileira comemorou com o time. “Quando a gente saiu do Brasil ninguém imaginava que iria ter essa torcida toda assim. Isso foi gratificante, porque fazia a gente pensar que éramos grandes”, disse o ala Wesley Reinaldo.

“Foram jogos duros, mesmo nos Jogos que goleamos foram difíceis. Mas fizemos uma boa campanha e entregamos o resultado que queríamos”

Daniel Júnior, técnico

Para os garotos, o momento foi de extravasar, já que eles precisaram se manter concentrados durante todo o período dos jogos, desde a estreia no dia 8 até esta quinta-feira (18.10), último dia de evento em Buenos Aires. “Agora vou comemorar com a família. Foram 21 dias longe e todos torcendo por nós. Agora é levar o ouro para casa”, falou Wesley. “Vai ter muito churrasco e festa”, completou Yuri Gavião.

Provocações

Embora o placar tenha sido elástico, o jogo não foi fácil. No primeiro tempo, a Seleção só conseguiu a vantagem no placar porque o russo Danil Karpiuk acertou um chutaço no ângulo de sua própria meta logo aos dois minutos de partida. “Que coisa, né? O melhor jogador deles deu um apagão e fez um gol contra. Isso ajudou bastante porque abriu o caminho”, agradeceu o técnico Daniel Júnior.

No segundo tempo, o Brasil conseguiu marcar o segundo quando o cronômetro marcava 1 minuto da segunda etapa: Breno acertou um chute e o goleiro russo aceitou. Com a desvantagem, a Rússia precisou ir para cima e usar o goleiro-linha. A estratégia do Brasil foi segurar a pressão e tentar ampliar no contra-ataque.

E foi justamente assim que a Seleção chegou ao terceiro, com Matheus Moura, aos oito minutos, e depois fechou o placar com o goleiro Françoar, que aproveitou o gol vazio para mandar a bola para as redes russas. “Desde o início da competição o Françoar está pegando muito, o goleiro-linha tentando também arriscar de longe e ele fez o gol do título. Sensação única que ninguém sabe explicar”, elogiou Wesley.

“Acho que o público mostrou que a modalidade tem espaço nos Jogos Olímpicos”

Fernando Wilhelm, argentino campeão da Copa do Mundo da Fifa em 2016

Mas as divididas duras, entradas mais fortes e encaradas durante a partida culminaram com um estranhamento entre brasileiros e russos na hora da festa. “Se fosse ‘meu eu’ das antigas, a gente teria saído na mão. Mas como agora sou capitão, tenho que dar exemplo. Tirei meus jogadores da confusão porque numa briga Fifa poderia tirar o nosso ouro, já pensou? E também a gente nem entendia o que eles estavam falando, a gente também xingou na nossa língua. Eu falei para eles: ‘Vai, pode xingar aí, russo, olha o ouro aí. Quando eles passaram, mostrei a medalha e falei: ‘Cuidado para não ficar cego”.

Futsal nos Jogos

A primeira experiência do futsal em Jogos Olímpicos foi considerada um sucesso. As partidas lotaram o Estádio em Tecnópolis e o ginásio do Cenard. O jogador da seleção argentina adulta de futsal Fernando Wilhelm, campeão da Copa do Mundo de futsal da Fifa em 2016 e que participou dos Jogos da Juventude como atleta modelo, destacou a incrível experiência que foi o futsal nos Jogos. “Acho que o público mostrou que a modalidade tem espaço nos Jogos Olímpicos”.

Para o técnico brasileiro, sinal de que a modalidade pode agregar. “Acho que tem que abrir a porta para o futsal olímpico e, principalmente, para nós do futsal nos entendermos como olímpicos, pela excelência que isso significa. O futsal passou no teste no quesito entretenimento porque todos os ginásios estavam lotados, a interação do público foi muito grande em todos os jogos. As pessoas gostam, o produto é vendável, quem pratica gosta muito, acho que passou pelo teste”, opinou.

Flickr do Ministério do Esporte (imagens disponíveis em alta resolução. Uso editorial gratuito)

Mateus Baeta e Breno Barros, de Buenos Aires, na Argentina – rededoesporte.gov.br


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