Cabeceira/PI,  1 de dezembro de 2020
 

10 de novembro de 2020 Informações da Postagem: Por Apolo Araújo Imprimir Postagem

Causa da morte de voluntário da vacina CoronaVac foi suicídio, diz polícia

Por G1 SP — São Paulo

 

CoronaVac: governo de São Paulo considera suicídio causa mais provável da morte

CoronaVac: governo de São Paulo considera suicídio causa mais provável da morte

causa da morte do voluntário que participava dos testes da vacina CoronaVac foi suicídio, segundo boletim de ocorrência obtido nesta terça-feira (10) pela TV Globo.

Na véspera, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia suspendido temporariamente dos testes do imunizante, que é produzido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo. Ao fazer o anúncio, o órgão citou “evento adverso grave”, mas não deu detalhes sobre o motivo específico que levou à suspensão.

Pouco depois da divulgação da causa da morte do voluntário, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou em entrevista coletiva que “objetivamente, não havia essa informação [de que o voluntário se suicidou] entre as que recebemos ontem [segunda-feira]“.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado às 16h02 de 29 de outubro em uma delegacia da Zona Oeste de São Paulo, policiais militares foram acionados pelo rádio para atender a uma “ocorrência de encontro de cadáver”.

Ao chegar ao apartamento, os policiais foram recebidos pelo zelador do prédio, que mostrou um homem de 32 anos no chão do banheiro – perto do braço dele, havia uma seringa e diversas ampolas de remédio. O corpo do jovem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Até a última atualização desta reportagem, o laudo necroscópico não havia sido divulgado. O resultado depende do exame toxicológico, que demora mais tempo para ficar pronto.

Resumo do caso

  • A Anvisa suspendeu, nesta segunda, os testes da CoronaVac, citando um “evento adverso” com um voluntário.
  • Esse evento adverso foi a morte de um voluntário.
  • O Instituto Butantan, que desenvolve à vacina, se disse surpreso. ‘É impossível a vacina ter relação com o evento adverso’, disse o diretor do órgão.
  • Na manhã desta terça, o presidente Jair Bolsonaro comemorou a pausa no teste: ‘Mais uma que Bolsonaro ganhou’. Ele considerou o episódio uma vitória sobre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de quem é adversário político.
  • No início da tarde desta terça, soube-se que o voluntário se suicidou.

Com a interrupção do estudo da CoronaVac, nenhum novo voluntário poderá ser vacinado.

Laudo apontou suicídio como causa da morte de voluntário da CoronaVac — Foto: Reprodução

Laudo apontou suicídio como causa da morte de voluntário da CoronaVac — Foto: Reprodução

Morte de voluntário da Coronavac foi suicídio, diz polícia
Morte de voluntário da Coronavac foi suicídio, diz polícia
‘Evento adverso grave’

Na noite desta segunda, a Anvisa suspendeu os testes da vacina da Sinovac – feita em parceria pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, de São Paulo – após ter sido notificada sobre um “evento adverso grave”, em 29 de outubro, envolvendo um voluntário.

Mais de dez dias depois, a agência determinou que nenhum novo voluntário poderá ser vacinado até que sejam avaliados os dados e que a Anvisa possa “julgar o risco/benefício da continuidade do estudo”.

Segundo uma lista divulgada pela agência, são considerados eventos adversos graves “morte, evento adverso potencialmente fatal, incapacidade ou invalidez persistente, internação hospitalar do paciente, anomalia congênita ou defeito de nascimento, qualquer suspeita de transmissão de agente infeccioso por meio de um dispositivo médico e evento clinicamente significante”.

Butantan diz não haver relação entre vacina e a morte

Após o anúncio, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou:

“Os dados são transparentes. Por que nós sabemos e temos certeza de que não é um evento relacionado à vacina? Como eu disse, do ponto de vista clínico do caso – e nós não podemos dar detalhes, infelizmente –, é impossível, é impossível que haja relacionamento desse evento com a vacina, impossível. Eu acho que essa definição encerra um pouco essa discussão”.

A declaração foi dada pelo diretor durante coletiva de imprensa na sede do Instituto Butantan, após o governo paulista se reunir virtualmente com representantes da Anvisa para tratar sobre a suspensão dos testes.

Durante a coletiva desta terça, representantes do governo de São Paulo demonstraram indignação com a suspensão e defenderam que não há relação entre o evento adverso e o imunizante.

“Não houve nenhuma relação da vacina com o evento adverso grave apresentado”, defendeu o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn.

Dimas Covas disse que a suspensão, além de desnecessária, provoca “dor e sofrimento nos voluntários”: “Não haveria a necessidade desse tipo de medida, que poderia ser resolvido administrativamente, como foi feito hoje de manhã”.

“Se interromper um estudo clínico que está indo muito bem causa sofrimento, causa dor, causa insegurança, naquelas pessoas que já foram submetidos ao estudo, causa dificuldade naqueles que querem ser submetidos ao estudo e que estão na fila para receber a vacina ou o placebo. Ou seja, são os voluntários, as pessoas que se dedicaram a esse estudo exatamente para trazer a esperança da vacina.”

Anvisa foi notificada no início de novembro

Ainda de acordo com Dimas Covas, a Anvisa foi notificada em 6 de novembro quanto ao evento adverso envolvendo o voluntário nos testes da CoronaVa.

“Nós estamos tratando aqui de um evento adverso grave que não tem relação com a vacina. Repito: um evento adverso grave que não tem relação com a vacina. Essa informação está disponível à Anvisa desde o dia 6, quando foi notificado o efeito adverso grave”, afirmou Covas.

O diretor do Butantan criticou o comportamento da agência e a forma como o instituto recebeu a notícia da interrupção dos testes.

“Dia 6 a Anvisa recebeu um documento dizendo: ‘Olha, um participante do estudo clínico teve um evento adverso grave não relacionado com a vacina’. Ponto. O que que se espera diante de um comunicado desse? ‘Olha, ok, vamos avaliar, vamos nos reunir, vamos ver quais foram as causas desse evento adverso, se você está dizendo que não tem relação com a vacina, vamos apurar'”, explicou.

“É isso o que a gente espera. Foi isso o que aconteceu? Não. Quer dizer, esse encaminhamento foi feito dia 6. Ontem, dia 9, às 20h40, encaminham um e-mail ao Butantan dizendo que haveria uma reunião hoje para tratar do evento adverso grave. Mas, ao mesmo tempo, anunciava a suspensão do estudo. Oito e quarenta da noite, 20h40 da noite, 20 minutos depois essa notícia estava em rede nacional. 20 minutos depois de nós termos sido notificados por e-mail, a notícia estava em rede nacional.”

Dimas Covas disse ainda que o governo reenviou todos os esclarecimentos à Anvisa e aguarda que a liberação para a retomatada dos testes o mais rápido possível: “Ela agora está apta a tomar a decisão de retomar o estudo o mais rápido possível”.

A expectativa do diretor é a de que, após os esclarecimentos, a Anvisa retome os estudos ainda nesta semana, possivelmente nesta quarta-feira (11).

Comunicado Sinovac

Nesta terça, a Sinovac, farmacêutica chinesa responsável pelo desenvolvimento da CoronaVac, afirmou em comunicado que “está confiante na segurança da vacina” contra a Covid-19.

A empresa afirmou que o estudo clínico em fase 3 no Brasil “é realizado estritamente de acordo com os requisitos do GCP” (Good Clinical Practice, ou “boas práticas clínicas”, em português).

Como as vacinas funcionam?
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Oxford

Em 21 de outubro, um voluntário brasileiro que participava dos testes da vacina de Oxford contra a Covid-19 morreu de complicações da Covid-19. O voluntário tomou um placebo (substância inativa), e não uma dose da vacina.

Os testes foram suspensos, na época, pela própria AstraZeneca, que desenvolve a vacina em parceria com a Universidade de Oxford.
Entenda como funcionam os testes da vacina contra Covid
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Fonte: G1


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